MONDRONGO E PATUÁ

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Emmanuel Santiago e João Filho

AMIGOS LEITORES, recomendo a matéria “Faça, divulgue e venda você mesmo”, escrita por Omar Godoy para o Jornal da Biblioteca Pública do Paraná. Na matéria, duas editoras especiais, a Mondrongo e a Patuá, ambas, respectivamente, responsáveis pela publicação de dois importantes livros de poemas em 2015: A DIMENSÃO NECESSÁRIA, do poeta baiano João Filho e PAVÃO BIZARRO, do poeta mineiro e paulista por escolha, Emmanuel Santiago. Eis alguns trechos:

Recorrer a editais e leis de incentivo, no entanto, não é uma prática comum entre as microeditoras. (…) há quem repudie totalmente a ideia, como o dono da editora Mondrongo, de Itabuna (BA), Gustavo Felicíssimo, 45 anos. “Sou produtor cultural, minha especialidade é a adequação de projetos voltados para as leis de incentivo. Mesmo assim, desisti de participar de editais há três anos”, revela. 

Ele vê uma “movimentação maléfica” em torno desses recursos, e lamenta que parte do cenário literário dependa deles para existir. “Estamos vendo o surgimento de ‘editoras de editais’ e até de ‘escritores de editais’. Isso é muito pobre, além de comprometer o futuro da literatura”, diz. Na ativa desde 2011, a Mondrongo foi concebida para ser um braço editorial do Teatro Popular de Ilhéus, uma das instituições culturais mais conhecidas da Bahia. Há três anos, desvinculou-se do grupo e hoje é conduzida apenas por Felicíssimo, que prioriza a literatura nordestina acima de tudo.

“Literatura não se faz de cima para baixo. Raramente um autor extrapola os limites de sua região. Não tenho ilusões quanto a isso”, justifica, ressaltando que 70% do faturamento da empresa vem justamente de eventos de lançamento realizados na região sul do estado. No final do ano passado, ele viu o nome da Mondrongo entrar definitivamente no mapa literário nacional após a premiação de dois títulos da editora. A dimensão necessária, do poeta João Filho, venceu o Prêmio Biblioteca Nacional. E Canção de ninar estátuas, de Luiz Gilberto de Barros, foi eleito o melhor livro de contos pela União Brasileira dos Escritores.

(…)

a paulista Patuá já é uma das principais referências do cenário “micro”. Nada mal para uma empresa fundada há pouco mais de cinco anos, com um investimento modesto de R$ 4 mil. “Montei a editora com três objetivos em mente: nunca cobrar do escritor, abrir espaço para novos talentos e entregar produtos bonitos, de boa qualidade gráfica”, conta Eduardo Lacerda, dono e “faz tudo” do empreendimento. 

Depois de passar um ano inteiro apenas pesquisando processos e o mercado, Lacerda se apresentou aos leitores com uma proposta ousada para o cenário independente. A Patuá lança cerca de 10 títulos por mês, com tiragem média de 150 exemplares, que são vendidos na internet e em eventos de lançamento Brasil afora. “A loja virtual representa uma boa parte do faturamento, mas eu dependo muito dos lançamentos para fechar as contas”, diz o editor, que já acumula 350 títulos publicados. Boa parte desse catálogo é composta por obras de autores ascendentes, como Paula Fábrio, Elisa Andrade Buzzo, Guilherme Gontijo Flores e Chico Lopes.

A importância dos eventos para a Patuá é tão grande que Lacerda decidiu abrir um misto de bar, café e livraria, o Patuscada. “Se tenho prejuízo com um livro, posso compensar na venda de bebida. No fim, as coisas sempre acabam se equilibrando”, explica. Seu próximo plano é montar uma espécie de hospedagem no local, para abrigar escritores de passagem por São Paulo. “Penso em cobrar apenas uma taxa simbólica. Ou que esses autores, em vez de pagarem, ministrem cursos gratuitos dentro do próprio espaço.”

(…)

Questionados sobre os planos de expansão de seus negócios, os editores procurados pelo Cândido são enfáticos: a meta é se consolidar no mercado, mas o crescimento deve acontecer de forma sustentável e, acima de tudo, independente. “Existe uma ideologia por trás do que eu faço, não sou só um empreendedor”, garante Gustavo Felicíssimo, da Mondrongo.

FONTE http://www.candido.bpp.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1082

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