O OUTRO MENINO GRAPIÚNA

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De Wladimir Saldanha para Emmanuel Santiago

EMMANUELSANTIAGO quadro

Não fui do que cortasse a cana em talo:
do pai que tocaiaram, coronel.
Não me tirou do chão, lavado em sangue,
se a égua é que morreu – nem ele ou eu.

Do pai que tocaiaram, coronel,
o ínsito jagunço, por matá-lo,
mirou repetição, e o cavalo,
o longe galopou, mas outro – o seu.

O tal da cana foi quase em Sequeiro
do Espinho, quando ainda era Itabuna;
e se diz não nasceu em Pirangi

- que a viu nascer -, tudo isso eu também vi:
o arco do céu, o sangue, o pai em suma.
Tocaia, coronel: eu não nasci.

***

Soneto da p. 64 do livro de poemas CACAU INVENTADO (Mondrongo, 2015), de Wladimir Saldanha. Emmanuel Santiago é autor do livro de poemas PAVÃO BIZARRO (Patuá, 2014).

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poeta-Wladimir-SaldanhaWladimir Saldanha nasceu em 1977, Salvador, cidade onde reside. Poeta e contista, é autor, dentre outras obras, de AS CULPAS DO POEMA (Editora Scortecci, 2012, vencedor do X Prêmio Literário Asabeça); DESTA ÁGUA NÃO BEBEREI (contos, inédito – menção do Prêmio Sesc de Literatura 2011/2012) e mais dois livros de poemas, ambos lançados pela Editora 7Letras: LUME CARDUME CHAMA (2013) e CULPE O VENTO (2014). Em 2015 nos presenteou com mais um livro de poemas: CACAU INVENTADO (Editora Mondrongo).

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